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Lula quer anular leilão da Petrobras por venda de gás acima da tabela

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou o desejo de anular um recente leilão da Petrobras, alegando que a venda de gás ocorreu com ágio superior ao da tabela de preços. Lula expressou forte crítica ao elevado preço do botijão de gás de cozinha pago pelo consumidor final, e em resposta, o governo federal implementou o programa Gás do Povo, que substituiu o Auxílio Gás e visa fornecer o botijão gratuitamente a famílias de baixa renda.

Para o presidente, a distribuição é o principal fator que eleva o custo do produto. “Quando a Petrobras vende um botijão de gás a R$ 37, ele não pode chegar a R$ 160 na casa do povo. Alguém está roubando”, declarou Lula, questionando a diferença entre o preço de venda da estatal e o valor final ao consumidor, especialmente após um leilão com ágio de 100%.

Críticas à alta de combustíveis e medidas governamentais

Lula reiterou suas críticas à guerra no Oriente Médio e seus impactos no preço internacional do petróleo, que têm encarecido os combustíveis, com destaque para o óleo diesel, uma vez que o Brasil importa cerca de 30% do diesel que consome.

O governo federal está buscando conter a escalada dos preços do diesel, que afetam diretamente a inflação. Além da redução de impostos já realizada, uma medida provisória (MP) está em vias de ser publicada, propondo um subsídio de R$ 1,20 por litro para o diesel importado.

O presidente também atacou o que considera “bandidagem” de alguns estabelecimentos que aumentam os preços de combustíveis e álcool sem justificativa. “Qual é a lógica de aumentar o preço do álcool? Qual é a lógica de aumentar o preço da gasolina se nós ainda não temos necessidade disso? É pura bandidagem de algumas pessoas”, afirmou.

Privatizações e estudos de recompra

Lula criticou a privatização da BR Distribuidora em 2019, argumentando que a subsidiária da Petrobras poderia atuar hoje para frear aumentos de preços. “Privatizaram a BR [Distribuidora] e nós só podemos recomprá-la a partir de 2029. Ou seja, nós não temos hoje distribuidora”, lamentou.

Ele também mencionou o estudo para a recompra da Refinaria de Mataripe (antiga Landulpho Alves), na Bahia, privatizada em 2021. “Não é justo o que fizeram, a refinaria produz [hoje] menos da metade daquilo que deveria produzir”, disse, ressaltando a necessidade de maior produção para suprir a demanda interna e reduzir a dependência de diesel importado.

A Agência Brasil contatou a Petrobras para obter esclarecimentos sobre as condições do leilão e aguarda um posicionamento. O espaço permanece aberto para manifestação.

Com informações da Agência Brasil