
Uma organização criminosa especializada em transportar drogas a partir da Amazônia para outras regiões do país foi alvo da Operação La Máquina, deflagrada pelo Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM) e pela Polícia Federal. A estrutura envolvia aviões de pequeno porte, pilotos, pistas clandestinas, empresas de fachada e uma complexa rede financeira para movimentar milhões de reais provenientes das atividades ilícitas.
A investigação identificou um grupo com atuação interestadual e divisão de tarefas, responsável pela logística aérea do tráfico e pela movimentação de recursos milionários. Ao todo, foram cumpridos 43 mandados judiciais, incluindo 13 prisões preventivas, em oito estados brasileiros. A Justiça determinou também o sequestro de bens e o bloqueio de aproximadamente R$ 7,7 milhões em ativos financeiros.
Estrutura logística e financeira sob investigação
O ponto de partida da investigação foi o monitoramento de pistas clandestinas no interior do Amazonas. Com o aprofundamento das apurações, foi descoberta uma estrutura dedicada ao transporte de drogas, com pessoas encarregadas de financiamento, pilotagem de aeronaves, manutenção, abastecimento, armazenamento e distribuição dos entorpecentes, além da movimentação dos lucros.
O esquema utilizava modais aéreo, fluvial e terrestre para a distribuição das drogas. A estrutura aérea incluía aeronaves de pequeno porte, pilotos, locais clandestinos de pouso e decolagem, armazenamento de combustível em áreas remotas e estruturas de manutenção. Indícios de adulteração de identificação de aeronaves também foram encontrados, visando dificultar a fiscalização.
A Justiça autorizou a destruição de duas pistas de pouso clandestinas em Tefé e Presidente Figueiredo, que serviam como pontos de apoio à operação aérea da organização.
Milhões movimentados e patrimônio descapitalizado
A investigação financeira revelou movimentações superiores a R$ 35 milhões por pessoas físicas e jurídicas ligadas aos investigados, valores incompatíveis com suas atividades econômicas declaradas. Mecanismos como empresas de fachada, depósitos fracionados e aquisição de bens em nome de terceiros foram identificados para ocultar e dar aparência lícita aos recursos.
Esses recursos teriam sido usados na aquisição de imóveis, veículos de luxo, embarcações e empreendimentos comerciais, formando um patrimônio incompatível com a renda formal dos envolvidos. Investimentos em centros comerciais em Manaus também foram apontados como forma de conferir legalidade ao dinheiro do tráfico.
Além das prisões e buscas, a operação determinou o sequestro de 31 veículos, avaliados em cerca de R$ 3 milhões, e dois centros comerciais. O bloqueio de R$ 7,7 milhões em ativos financeiros visa descapitalizar a organização e interromper seu financiamento.
Riscos para a aviação e crimes investigados
A operação também evidenciou os riscos associados à atividade criminosa, com episódios como uma interceptação aérea seguida de ação policial e o desaparecimento de uma aeronave próximo à fronteira com a Venezuela. O nome da operação, “La Máquina”, faz referência à expressão usada nas comunicações investigadas para designar as aeronaves de transporte de drogas.
Os investigados poderão responder por tráfico interestadual de drogas, associação para o tráfico, financiamento ao tráfico, organização criminosa e lavagem de capitais, entre outros delitos.
Com informações do Ministério Público do Amazonas







