
A cesta de produtos de Páscoa registrou uma queda de 5,73% em 2024, oferecendo um alívio para o bolso do consumidor. No entanto, a dinâmica dos preços, especialmente no setor de chocolates, apresenta um cenário mais complexo.
Industrializados e a defasagem nos preços
Matheus Dias aponta que a redução nos custos de produção agrícola nem sempre se reflete rapidamente em produtos industrializados. Essa defasagem é notória no caso do chocolate, onde a queda do cacau no mercado internacional, desde outubro de 2025, não impediu a alta de 16,71% nos preços para o consumidor no mesmo período.
Concentração de mercado impacta concorrência
O economista Valter Palmieri Junior, doutor em Desenvolvimento Econômico pela Unicamp, explica que a concentração de mercado é um dos fatores que elevam consistentemente os preços. Em seu estudo sobre a inflação de alimentos, ele destaca que cinco marcas de bombons e chocolates, de apenas três empresas, dominam 83% do mercado.
Abicab explica a formação do preço do chocolate
A Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados (Abicab) esclarece que o preço do chocolate não depende unicamente do cacau. Outros insumos como leite, açúcar, custos de frete e a variação do dólar são considerados. Cada empresa adota sua própria política de preços, buscando oferecer produtos para “todos os paladares e adaptadas às várias faixas de consumo”.
Impacto do El Niño e mercado global
A indústria ressalta que o fenômeno El Niño em 2024 devastou plantações em Gana e Costa do Marfim, maiores produtores de cacau, gerando um déficit de 700 mil toneladas. Essa escassez elevou o preço da tonelada na Bolsa de Nova York, que chegou a subir quatro vezes para US$ 11 mil (cerca de R$ 56,7 mil), embora a Abicab afirme que “apenas 10% desse impacto se refletiu no preço final” para o consumidor. Atualmente, a cotação está em torno de US$ 3,3 mil.
Expectativas positivas para o emprego na Páscoa
Apesar das flutuações de preços, a indústria de chocolates demonstra otimismo para a Páscoa deste ano, impulsionada pela estabilidade econômica e pela menor taxa de desemprego histórica. A Abicab estima a criação de 14,6 mil empregos temporários, um aumento de 50% em relação ao ano anterior, com 20% dessas vagas tendendo a se tornar fixas.
Uma pesquisa do Instituto Locomotiva indica que 90% dos consumidores planejam adquirir produtos de Páscoa.
Com informações da Agência Brasil







