
O Comitê de Política Monetária (Copom) sinalizou cautela em suas decisões futuras, influenciado pelas tensões geopolíticas globais e pela expectativa de inflação em horizontes mais longos. O colegiado observa a probabilidade de impactos mais duradouros para as cadeias de produção e distribuição, além de potenciais efeitos de segunda ordem decorrentes de restrições na oferta de petróleo e seus derivados.
O conflito entre os Estados Unidos e o Irã tem afetado a navegação no Estreito de Ormuz, rota crucial para cerca de 20% do petróleo mundial e para uma parcela significativa da produção de fertilizantes. O Banco Central (BC) ressalta que “tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities”.
Expectativas de inflação sob vigilância
Antes da escalada das tensões, a expectativa predominante era de uma queda mais acentuada na Taxa Selic. Contudo, o Copom agora alerta para uma “desancoragem adicional das expectativas de inflação para horizontes mais longos, em particular para o ano de 2028”.
Segundo o Boletim Focus mais recente, a previsão do mercado para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação oficial do Brasil, é de 4,89% para este ano. Para 2027, a projeção está em 4%, e para 2028, a expectativa subiu nas últimas semanas para 3,64%.
A autoridade monetária enfatiza que o custo para trazer a inflação de volta à meta é consideravelmente maior quando as expectativas do mercado se desancoram, justificando a manutenção de uma postura restritiva para a Selic.
Selic e a meta de inflação
O modelo de referência do Banco Central projeta atualmente uma alta de 4,6% para o IPCA em 2026. A taxa básica de juros, a Selic, é o principal instrumento do BC para controlar a inflação e serve de referência para as demais taxas da economia.
A meta de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) é de 3%, com uma tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, estabelecendo um limite inferior de 1,5% e um superior de 4,5%.
Ciclo de cortes e desafios atuais
Entre junho de 2025 e março deste ano, a Selic permaneceu em 15% ao ano, o nível mais alto em quase duas décadas. Embora o Copom tenha retomado os cortes de juros em março, em um cenário de queda da inflação, a guerra no Oriente Médio e o consequente aumento nos preços de combustíveis e alimentos complicam o cenário.
Ainda assim, o colegiado avaliou que os eventos recentes não impedirão a continuidade do ciclo de redução. “O Comitê julgou apropriado dar sequência ao ciclo de calibração da política monetária, na medida em que o período prolongado de manutenção da taxa básica de juros em patamar contracionista propiciou evidências da transmissão da política monetária sobre a desaceleração da atividade econômica, criando condições para que ajustes no ritmo e extensão dessa calibração, à luz de novas informações, sejam possíveis de forma a assegurar o nível compatível com a convergência da inflação à meta”, conclui a ata.
Com informações da Agência Brasil







