
A guerra no Irã e o consequente choque do petróleo, com o fechamento do Estreito de Ormuz, expõem a vulnerabilidade energética do Brasil. Segundo José Sergio Gabrielli, ex-presidente da Petrobras, o país interrompeu investimentos cruciais em refino, o que o deixa exposto às flutuações do mercado internacional, especialmente no que tange ao fornecimento de diesel.
Impactos globais e a posição do Brasil
Gabrielli, que lançou o livro “Economia do Hidrogênio: paradigma energético do futuro”, aponta que as ações dos Estados Unidos no Irã e na Venezuela visam controlar o mercado global de petróleo. A guerra, segundo ele, pode alterar a geografia do comércio de óleo bruto, com maior participação de países como Brasil, Canadá e Guiana, que supririam a demanda da China e Índia.
No entanto, o Brasil enfrenta um gargalo: a falta de capacidade de refino para atender sua própria demanda interna. “Nós não temos capacidade de refino para atender o mercado brasileiro de diesel, gasolina e gás de cozinha”, afirmou Gabrielli em entrevista à Agência Brasil.
Histórico de desinvestimento em refino
O ex-presidente da Petrobras relembrou que, após a Operação Lava Jato, o Brasil deixou de investir na construção de novas refinarias. A Petrobras possuía planos ambiciosos, mas apenas uma nova refinaria foi construída entre 1980 e 2014. Ele também mencionou a oposição histórica de multinacionais do setor, como Exxon e Shell, à expansão do refino brasileiro.
O papel das importadoras e a transição energética
Gabrielli criticou o papel das importadoras de combustíveis, autorizadas em larga escala a partir do governo Temer. Ele as descreve como “claramente especulativas”, atuando apenas quando o preço internacional é mais vantajoso. A redução da carga de refino da Petrobras nos governos anteriores abriu espaço para essas empresas.
Sobre a transição energética, o especialista ponderou que o combustível fóssil ainda é essencial no momento atual. No entanto, o novo choque do petróleo pode acelerar essa transição no longo prazo, impulsionando a busca por alternativas como o hidrogênio verde.
Hidrogênio verde: promessa ou realidade?
Gabrielli vê o hidrogênio verde como um caminho para a descarbonização da indústria e do transporte pesado. Para sua viabilização, é crucial a criação de um novo mercado e a integração da produção ao consumo. Ele estima que o hidrogênio verde possa dominar o mercado de combustíveis por volta de 2035, mas ressalta que as decisões para atingir essa meta precisam ser tomadas agora.
Com informações da Agência Brasil







