Amazonas UEA lança Política Institucional Indigenista para fortalecer permanência de estudantes

UEA lança Política Institucional Indigenista para fortalecer permanência de estudantes

A Universidade do Estado do Amazonas (UEA) apresentou oficialmente sua Política Institucional Indigenista, um marco para a inclusão e o fortalecimento da presença de estudantes indígenas no ensino superior. A iniciativa, aprovada em janeiro de 2026, visa garantir o acesso, a permanência e a valorização cultural dos acadêmicos indígenas na universidade.

CGPIND e ações de inclusão

A criação do Comitê Gestor de Políticas Indigenistas (CGPIND) e da política institucional atende à necessidade de acolher as especificidades dos estudantes indígenas. Desde 2005, a UEA já adota o sistema de cotas étnicas, mas a nova política aprofunda os mecanismos de apoio.

O CGPIND foi construído em diálogo com organizações indígenas do estado, como Apiam, Copime, Meiam e Foreeia, garantindo uma abordagem colaborativa e representativa.

Núcleos de Atendimento aos Estudantes Indígenas (NAI)

Uma das principais ações é a implementação dos Núcleos de Atendimento aos Estudantes Indígenas (NAI). Previstos para 2026 em cinco unidades da UEA – Escola Superior de Ciências da Saúde (ESA), Escola Normal Superior (ENS), Centro de Estudos Superiores de Tefé (Cest), Centro de Estudos Superiores de Parintins (Cesp) e Centro de Estudos Superiores de Tabatinga (Cestb).

A meta é expandir a iniciativa para outras quatro escolas na capital e dois centros no interior até 2027, ampliando o alcance do suporte aos estudantes.

Incentivo à pesquisa e à cultura

A política também estimula o desenvolvimento de projetos de ensino, pesquisa e extensão voltados ao fortalecimento dos direitos dos povos tradicionais. O objetivo é promover a valorização das culturas, línguas, conhecimentos e ancestralidades indígenas.

Apoio e reconhecimento

O reitor da UEA, Prof. Dr. André Zogahib, destacou a importância da institucionalização da política para uma atuação mais organizada e eficaz. “Eu não tenho dúvida que essa ação, que esse comitê e tudo que está sendo trabalhado vai ser feito de uma forma mais organizada, mais eficiente, mais eficaz e, sobretudo, mais efetiva, porque está institucionalizada na nossa universidade”, afirmou.

Lideranças indígenas, como Joede Sateré Mawé (Apiam) e Izabel Munduruku (Meiam), celebraram a conquista como um avanço fruto de muita luta. “Que as políticas, as ações afirmativas se consolidem com políticas institucionalizadas nas universidades”, ressaltou Izabel Munduruku.

Composição e representatividade

O Comitê Gestor de Políticas Indigenistas é formado por docentes e um representante discente do Movimento Indígena do Amazonas. Erimar Cabral Miquiles, estudante de Direito e representante do movimento, enfatizou o desejo de tornar a trajetória acadêmica indígena mais acolhedora: “Todas essas lutas é para que cada um dos estudantes tenham uma passagem pela universidade mais tranquila”.

Durante a apresentação, foram compartilhados os avanços e os próximos passos da política, com homenagens a lideranças indígenas que contribuíram para essas conquistas.

Assista à transmissão do evento: https://www.youtube.com/watch?v=N1fLCy2J3G0

Acesse a resolução da Política Institucional Indigenista: https://xfiles.uea.edu.br/data/legislacao/ato/p26774.pdf

Com informações da Agência Amazonas