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Manaus sedia oficina do Ministério da Saúde para prevenir tuberculose em pessoas com HIV/Aids

Profissionais de saúde da Prefeitura de Manaus participam, entre os dias 22 e 23 de julho, de uma oficina promovida pelo Ministério da Saúde focada no fortalecimento da prevenção da tuberculose entre pessoas vivendo com HIV/Aids (PVHA). A iniciativa faz parte de um projeto-piloto de implementação do Tratamento Preventivo da Tuberculose (TPT) Universal.

Capacitação para atendimento especializado

A oficina, realizada na Escola de Contas do Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (ECP/TCE-AM), reúne servidores que atuam diretamente no atendimento a pacientes com HIV/Aids na rede municipal. O objetivo é preparar a rede de saúde para ampliar a oferta do tratamento preventivo, conforme explicou Anne Kimi Okazaki, chefe do Núcleo de Controle de Tuberculose da Semsa.

O TPT é destinado a indivíduos com Infecção Latente pelo Mycobacterium tuberculosis, reduzindo o risco de progressão para a tuberculose ativa, especialmente em PVHA. A programação inclui a análise de quatro estudos de caso, abordando o manejo de pacientes novos, com coinfecção TB/HIV e aqueles que apresentam efeitos adversos à medicação.

Números preocupantes em Manaus

Em 2025, Manaus registrou 3.224 novos casos de tuberculose, com uma incidência de 139,9 casos por 100 mil habitantes. Grupos como pessoas em situação de rua, população privada de liberdade, povos indígenas, migrantes e PVHA enfrentam maior risco. Segundo Anne Kimi, pessoas vivendo com HIV/Aids têm um risco cerca de 23 vezes maior de desenvolver a doença.

Dos casos novos de tuberculose diagnosticados em Manaus em 2025, 789 (17,0%) ocorreram em pessoas vivendo com HIV/Aids. A consultora técnica do Ministério da Saúde, Liliana Romero Vega, informou que o projeto-piloto está sendo implementado também em Campo Grande, Porto Alegre, Rio de Janeiro, Recife e Fortaleza.

Ampliação do tratamento preventivo

Com o projeto-piloto, a oferta do tratamento preventivo da tuberculose será ampliada para adultos e adolescentes com 18 anos ou mais vivendo com HIV, incluindo gestantes, independentemente da contagem de linfócitos CD4. Anteriormente, o tratamento preventivo era recomendado para PVHA com contagem de linfócitos CD4 inferior a 350 células/mm³.

Thayná Saraiva, chefe do Núcleo de Controle de HIV/Aids, IST e Hepatites Virais da Semsa, destacou que a tuberculose é a principal causa de morte entre PVHA. “O tratamento preventivo quebra esse ciclo, tratando a infecção latente antes que se torne a tuberculose ativa. A iniciativa desse novo piloto pretende reduzir a mortalidade e eliminar barreiras no acesso ao tratamento preventivo”, explicou.

As ações do projeto-piloto em Manaus serão coordenadas pelos Núcleos de Controle da Tuberculose e de Controle de HIV/Aids, IST e Hepatites Virais, com atividades nas unidades de saúde: Policlínica José Antônio da Silva, USF Dr. Antônio Reis, USF Maria Leonor Brilhante e USF Santos Dumont.

O Ministério da Saúde planeja emitir uma nota técnica para ampliar o projeto como política pública nacional após a fase de implementação nos municípios selecionados.

Com informações da Prefeitura de Manaus