
A Prefeitura de Manaus, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), promoveu nesta segunda-feira (4/5) o “Fórum de Saúde Indígena: Desafios e potencialidades na saúde dos povos indígenas em contexto”. O encontro, realizado no auditório da Escola Superior de Ciências da Saúde da Universidade do Estado do Amazonas (ESA/UEA), reuniu gestores, profissionais de saúde e representantes de instituições para debater e traçar caminhos para a atenção à saúde da população indígena na capital.
Fortalecimento das políticas de saúde indígena em Manaus
O subsecretário municipal de Gestão da Saúde, Djalma Coelho, destacou as ações da Semsa para o reforço da saúde indígena, incluindo a qualificação do cadastro e atualização de dados com o apoio de agentes comunitários e indígenas de saúde (AIS). A capacitação das equipes de saúde para um acolhimento mais efetivo aos povos tradicionais também foi ressaltada. Manaus se destaca por ter o cargo de agente indígena de saúde como servidor público na área da saúde, com planos de ampliação através de concurso público.
“Já temos uma política pública implantada e bem executada, mas é muito importante ouvir essa população e seus representantes, para podermos implementar inovações, corrigir iniquidades existentes e aprimorar cada vez mais essa política em nível municipal”, afirmou Djalma Coelho.
Desafios da urbanização e diversidade étnica
Marcivana Sateré Mawé, presidente da Coordenação dos Povos Indígenas de Manaus e Entorno (Copime), lembrou que a capital abriga pessoas de 186 etnias indígenas, com 99 línguas distintas. Ela apontou a urbanização como um fator que levou à invisibilização desses povos e suas culturas, tornando a atenção à saúde um desafio contínuo.
“Avançamos muito, mas ainda precisamos avançar muito mais, pensar políticas de fato concretas para essas populações. Penso que Manaus pode ser a capital de referência na atenção às populações indígenas que vivem na cidade, com políticas públicas apropriadas e acesso diferenciado à saúde”, assinalou Marcivana.
Construção de uma política municipal indígena
A chefe do Núcleo de Promoção do Respeito à Diversidade da Semsa, Liege Franco de Sá, explicou que o fórum visa subsidiar a criação de uma política municipal indígena mais robusta, especialmente para atender aqueles que vivem em contexto urbano e cujas necessidades não são totalmente supridas pela política nacional. A Semsa busca integrar a medicina indígena com a biomédica, respeitando a cultura e tradição desses povos.
Liege Franco de Sá também mencionou a iniciativa da Semsa de lançar um guia para facilitar o registro de raça, cor e etnia no Prontuário Eletrônico do Cidadão (PEC), visando orientar as equipes de saúde na atenção humanizada e específica aos usuários indígenas.
Participação e mesas-redondas
O evento contou com a participação de diversas entidades, como a Escola de Saúde Pública de Manaus (Esap), Organização Internacional para as Migrações (OIM), UEA, Conselho Municipal de Saúde (CMS/Manaus), Fiocruz Amazônia, Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM), Centro de Medicina Indígena, Funai, MPF e Ufam. Durante o fórum, foram realizadas mesas-redondas abordando temas como o cenário da saúde indígena urbana, o papel de órgãos como o MPF e a Funai, e as perspectivas interculturais no cuidado à saúde indígena na Atenção Primária à Saúde (APS) em Manaus.
A Agente Indígena de Saúde (AIS) Nelcilene Lopes de Almeida, da etnia Kokama, compartilhou a experiência de atuação junto às comunidades do Distrito de Saúde (Disa) Leste, destacando a importância do cadastro e atualização de dados para o desenvolvimento de estratégias de saúde mais eficazes. Outros momentos abordaram o itinerário terapêutico de mulheres indígenas, ações de educação em saúde e o atendimento psicológico em comunidades.
Com informações da Prefeitura de Manaus







