
A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS foi encerrada após sete meses de investigação sem a apresentação de um relatório final. O parecer do deputado Alfredo Gaspar (União-AL), que propunha o indiciamento de 216 pessoas, incluindo figuras como o empresário Lulinha, filho do presidente Lula, foi rejeitado pela maioria dos membros da comissão em votação apertada de 19 a 12.
Após a rejeição do relatório principal, o presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), declarou o encerramento dos trabalhos, optando por não analisar um relatório alternativo elaborado pela base governista. Este documento secundário pedia o indiciamento de 201 pessoas, entre elas o ex-presidente Jair Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro, sob acusações de organização criminosa e fraudes em descontos associativos do INSS.
Apesar do fim da comissão, Carlos Viana afirmou que cópias do relatório rejeitado serão encaminhadas ao Ministério Público Federal (MPF) e ao Supremo Tribunal Federal (STF) para as devidas providências. Por outro lado, o deputado Paulo Pimenta (PT-RS) informou que o relatório da base governista será levado à Polícia Federal.
Entenda o caso
A reunião que selou o fim da CPMI se estendeu da sexta-feira (27) até a madrugada de sábado (28). O relatório de Alfredo Gaspar, com mais de 4 mil páginas, solicitava o indiciamento de personalidades como Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, o empresário Maurício Camisotti, o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, além de ex-ministros, ex-dirigentes do INSS e parlamentares.
A apresentação do parecer ocorreu um dia após o STF rejeitar o pedido de prorrogação das atividades da CPMI, que teve início em agosto de 2025. A comissão investigava descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas, além de supostas ligações do Banco Master com a concessão irregular de empréstimos consignados.
Relatório alternativo e acusações
O relatório da base governista, por sua vez, focava em figuras políticas de oposição. Entre os indiciados estavam o ex-presidente Jair Bolsonaro, apontado como líder de uma suposta organização criminosa que atuava em fraudes no INSS, e o senador Flávio Bolsonaro, por organização criminosa.
Nas semanas finais de investigação, a CPMI foi alvo de acusações de vazamento de conversas pessoais de Daniel Vorcaro, cujos dados estavam em celulares apreendidos pela Polícia Federal e repassados à comissão com autorização do ministro André Mendonça, do STF.
Com informações da Agência Senado







