Política CPI do Crime aprova investigação sobre beneficiários finais do Master

CPI do Crime aprova investigação sobre beneficiários finais do Master

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado aprovou, nesta terça-feira (28), um pedido para identificar os beneficiários finais de fundos de investimento exclusivos ou restritos vinculados ao Master e à Reag Investimentos, empresas investigadas em uma fraude financeira bilionária. A medida visa desvendar o fluxo de lavagem de dinheiro.

Investigação sobre o Master

O relator da CPI, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), apresentou o requerimento que solicita à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), ao Banco Central (BC), à Receita Federal e à Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) a identificação completa dos beneficiários.

Vieira explicou que chegar ao beneficiário final é um desafio, pois diversas camadas de fundos são utilizadas para ocultar o destino e o proprietário real do dinheiro. Ele argumenta que esses fundos frequentemente são desvirtuados para fins criminosos, inserindo capital ilícito no mercado financeiro formal.

Prime Aviation e convocações

Também foi aprovada a convocação de dirigentes e sócios da Prime Aviation, empresa ligada à Vorcaro, utilizada para transportar aliados e parceiros em voos particulares. A senadora Soraya Thronicke (Podemos/MG) justificou que a empresa é peça central na rede de companhias usadas para lavagem de dinheiro.

A empresa teria cedido uma aeronave para que o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) realizasse campanha para Jair Bolsonaro em 2022, demonstrando a proximidade do grupo com o núcleo político investigado. Foi aprovada ainda a convocação do ex-governador do Mato Grosso (MT), Pedro Taques, que tem denunciado fraudes em crédito consignado.

Requerimentos rejeitados e polêmicas

A oposição criticou a rejeição de requerimentos que solicitavam a quebra de sigilos fiscal e bancário de integrantes do governo de Jair Bolsonaro, como o ex-ministro Paulo Guedes, e a convocação de Valdemar da Costa Neto. Pedidos de quebra de sigilos do ex-presidente do BC Roberto Campos Neto e de João Roma, ex-ministro da Cidadania, foram retirados.

O senador Marco Rogério (PL-RO) argumentou que os pedidos rejeitados fugiam do escopo original da CPI e eram motivados por disputas político-eleitorais. Já o senador Rogério Carvalho (PT-SE) lembrou que o esquema do Banco Master cresceu durante a gestão econômica do governo anterior.

A CPI iria ouvir o ex-diretor de fiscalização do Banco Central, Paulo Sérgio Neves de Souza, mas sua participação se tornou opcional após decisão do ministro do STF André Mendonça, levando-o a não comparecer à sessão.

Com informações da Agência Brasil