
O Comitê Municipal de Prevenção da Transmissão Vertical, criado em 2025 em Manaus, tem como principal objetivo evitar que crianças nasçam com sífilis congênita. Vinculado à Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), o comitê trabalha de forma integrada com diversas instituições para combater a infecção.
Desafios e dados alarmantes em Manaus
A sífilis congênita, transmitida da mãe para o bebê durante a gestação ou parto, ainda representa um desafio significativo para a saúde pública. Em 2025, Manaus registrou 351 casos em crianças menores de um ano, com 66 novos diagnósticos já em 2026. Dados mais amplos indicam que, entre 2020 e 2025, a capital amazonense contabilizou 1.926 casos de sífilis congênita em menores de um ano.
O monitoramento epidemiológico da Semsa revelou que, em 2025, 90,5% das mães de bebês com sífilis congênita apresentaram tratamento inadequado ou não realizado. Além disso, 55,5% dos diagnósticos de sífilis materna ocorreram apenas no momento do parto ou curetagem, demonstrando a necessidade de um rastreamento mais eficaz durante o pré-natal.
Atuação do Comitê e recomendações
Presidido pela enfermeira Ylara Enmily Costa, o comitê analisa epidemiologicamente os casos, monitora a evolução e propõe recomendações técnicas. O foco é subsidiar a gestão municipal na prevenção da transmissão vertical do HIV, sífilis e hepatites B e C.
Ylara Costa explica que vulnerabilidades sociais e individuais, como dificuldades socioeconômicas, recusa de parceiros em buscar tratamento e falhas no acesso aos serviços de saúde, contribuem para o atraso no pré-natal e no tratamento das gestantes.
O comitê elabora relatórios e recomendações para aprimorar o atendimento nas Unidades de Saúde, maternidades e na vigilância epidemiológica, visando reduzir o impacto dessas vulnerabilidades e corrigir falhas na rede de assistência.
Prevenção e diagnóstico: a importância do pré-natal
A sífilis é uma infecção bacteriana curável, mas que pode causar graves consequências ao feto se não tratada adequadamente durante a gestação, como aborto, natimorto e deficiências congênitas.
A recomendação é que gestantes realizem o teste para sífilis em pelo menos quatro momentos: na primeira consulta de pré-natal (idealmente no primeiro trimestre), no segundo trimestre, no terceiro trimestre e no momento do parto ou em caso de aborto.
Apesar dos esforços, o diagnóstico tardio ainda é predominante. Em 2025, apenas 38,7% dos diagnósticos de sífilis materna ocorreram durante o pré-natal. A Semsa reforça a importância do diagnóstico no primeiro trimestre para iniciar o tratamento e reduzir o risco de sífilis congênita.
Ações da Semsa para controle das ISTs
Para combater a sífilis e outras Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs), a Semsa tem ampliado o acesso a testes rápidos em todas as Unidades de Atenção Primária à Saúde, rastreamento sistemático durante o pré-natal e oferta de preservativos.
Estratégias de educação em saúde voltadas para a população geral e grupos prioritários também são desenvolvidas, com ênfase na promoção do autocuidado e na busca por testagem.
Com informações da Prefeitura de Manaus







