
O setor da construção civil no Amazonas está em iminência de greve geral. Trabalhadores da categoria ameaçam cruzar os braços na próxima semana caso não haja um acordo com o setor patronal sobre reajuste salarial, manutenção das cestas básicas e o pagamento de horas extras. O anúncio foi feito pelo Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil (Sintracomec-AM) após manifestação em frente à sede do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Amazonas (Sinduscon-AM).
Principais pontos de impasse nas negociações
De acordo com Cícero Custódio, presidente do Sintracomec-AM, as negociações da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) estão travadas devido a propostas consideradas “indecentes” pelas empresas. Os trabalhadores buscam a manutenção de direitos e um ganho real frente à inflação, enquanto o setor patronal tenta reduzir custos em pontos sensíveis.
Exigências dos trabalhadores e propostas patronais:
- Fim das horas extras de 100% aos sábados: Empresários propõem o fim do adicional integral no fim de semana.
- Corte da cesta básica por atestado médico: A proposta patronal prevê a suspensão do benefício em caso de licença médica.
- Reajuste salarial: O sindicato pede 10% de aumento, índice ainda não aceito pelas empresas.
- Desvalorização de funções essenciais: O sindicato alega que a função de montador de forma, crucial para as obras, está sendo desconsiderada.
“Sem reajuste, sem horas extras adequadas e sem cesta básica ampla e geral, os trabalhadores vão parar. A não ser que os patrões aceitem as propostas do Sindicato, a greve na próxima semana não tem volta”, afirmou Sassá ao portal.
Contraste entre lucros e salários defasados
A indignação dos trabalhadores é agravada pelo contraste entre o crescimento do mercado imobiliário no Amazonas, com faturamento em alta e canteiros de obras por todo o estado, e a perda do poder de compra da categoria. O salário dos operários atingiu um “ponto crítico”, segundo o sindicato.
“Não dá para seguir com um salário deste, em um momento em que o setor da construção civil vem batendo recorde em cima de recorde, tanto em arrecadação como no aumento dos canteiros de obras em todo o Estado”, concluiu o líder sindical.
Próximos passos e possíveis impactos
Se o Sinduscon-AM não apresentar uma contraproposta que atenda às reivindicações mínimas nos próximos dias, a paralisação será inevitável. Uma greve geral na construção civil tem o potencial de paralisar obras públicas essenciais e grandes empreendimentos imobiliários e comerciais em Manaus e no interior do estado.
O espaço segue aberto para o posicionamento do Sinduscon-AM sobre o andamento das negociações.
Com informações da Agência Amazonas







