
Moradores do distrito de Perus, na Zona Norte de São Paulo, denunciam fraude e manipulação durante audiência pública realizada para discutir a instalação de um novo incinerador na região. Segundo relatos, o evento, que deveria ser um espaço democrático para debate, foi marcado pela superlotação, impedimento de acesso para parte dos presentes e hostilidade por parte de agentes de segurança.
Superlotação e impedimento de acesso
O teatro do CEU, local da audiência, atingiu sua capacidade máxima, com cerca de 500 moradores sendo impedidos de participar. Mesmo com a instalação de televisores na entrada, o espaço não comportou todos os presentes, que aguardaram sob chuva, incluindo crianças. Relatos indicam que agentes da Guarda Civil Metropolitana (GCM) chegaram a proibir a fala de vereadores, o que foi negado pela assessoria da prefeitura.
Representantes indígenas e resistência
Três representantes da Terra Indígena do Jaraguá, originária da região de Perus, conseguiram entrar após insistência. Lideranças como o engenheiro químico Mario Bortoto e a consultora da WWF Brasil, Thais Santos, argumentam que a audiência foi conduzida de forma a manipular informações e a audiência, além de ter sido marcada em horário incompatível com a jornada de trabalho da maioria dos moradores.
Bortoto destaca que o projeto do novo incinerador é considerado ultrapassado em outros países e levanta preocupações sobre as cinzas tóxicas e o aumento do tráfego de caminhões na área. Ele também aponta a falta de estrutura de saúde, moradia e educação na região como agravantes, ligando a situação ao preconceito com a periferia.
Proposta alternativa e histórico da região
Em vez do incinerador, moradores e ativistas propõem a criação de um Território de Interesse de Cultura e da Paisagem Jaraguá-Perus-Anhanguera, valorizando a relação com a natureza e a resistência política local. A região de Perus já carrega um histórico de estigmatização, associado à Vala Clandestina do Cemitério Dom Bosco e ao Hospital Psiquiátrico do Juquery.
Dados do Mapa da Desigualdade indicam uma expectativa de vida de 62 anos em Perus, contrastando com sua alta cobertura vegetal. A região também já foi palco de outros empreendimentos controversos, como o aterro sanitário Bandeirantes.
Posicionamento oficial
A Cetesb informou que todas as colocações da audiência serão consideradas no processo de licenciamento. A Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil) do estado de São Paulo e a concessionária Loga emitiram nota conjunta, afirmando que as Unidades de Recuperação Energética (UREs) são modernas, não oferecem riscos e visam reduzir o volume de resíduos, gerar energia e empregos.
A nota reforça a importância da participação popular e que a audiência teve como objetivo apresentar o projeto e colher contribuições. A Loga negou qualquer oferta de vantagem a lideranças e ressaltou que a presença do público foi espontânea, respeitando os limites de capacidade e normas de segurança. A empresa reiterou o compromisso com a transparência e o diálogo, pautando o debate em informações técnicas e dados oficiais.
Com informações da Agência Brasil







