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Juros do cartão de crédito aumentam em fevereiro e pesam no bolso das famílias

Em fevereiro, os juros do cartão de crédito apresentaram uma escalada significativa, impactando diretamente o orçamento das famílias brasileiras. A taxa do crédito rotativo, que incide sobre o saldo não pago da fatura, disparou, atingindo 200,2% ao ano. Essa alta representa um aumento de 5,3 pontos percentuais no mês e 16,9 pontos percentuais no acumulado de 12 meses.

Crédito livre e direcionado: cenários distintos

Enquanto os juros do cartão de crédito sobem, outras modalidades de crédito apresentam um quadro mais misto. No crédito livre para empresas, os juros médios em novas contratações recuaram 0,1 ponto percentual no mês, embora tenham subido 1,1 ponto percentual em 12 meses, totalizando 24,9% ao ano.

Capital de giro com alívio pontual

Um destaque dentro do crédito livre para empresas foi a redução na taxa de juros para operações de capital de giro com prazo de até 365 dias. Essa taxa média cedeu 3,1% no mês e 1,8% em 12 meses, alcançando 22,5% ao ano. O Banco Central (BC) atribuiu essa melhora à redução específica nessa linha de crédito.

Crédito direcionado: estabilidade e leve alta

Já o crédito direcionado, cujas regras são definidas pelo governo e destinado a setores como habitação e microcrédito, mostrou maior estabilidade. Para pessoas físicas, a taxa ficou em 10,8% ao ano em fevereiro, com leve queda mensal de 0,3 ponto percentual, mas aumento de 0,3 ponto percentual em 12 meses.

Taxa básica de juros e inflação

A elevação dos juros bancários acompanha a política monetária do Banco Central. A taxa básica de juros, a Selic, definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom), está em 14,75% ao ano. O BC utiliza a Selic como principal ferramenta para controlar a inflação, elevando-a para desaquecer a economia e estimular a poupança.

Recentemente, o Copom iniciou um ciclo de redução da Selic, mas o BC não descarta reavaliar essa trajetória diante de incertezas globais, como o conflito no Oriente Médio. A próxima decisão sobre a Selic ocorrerá em abril.

Spread bancário e concessão de crédito

O spread bancário, que mede a diferença entre o custo de captação dos bancos e as taxas cobradas dos clientes, também apresentou alta em fevereiro, subindo 0,5 ponto percentual no mês e 2,8 pontos percentuais em 12 meses. Em fevereiro, as concessões totais de crédito somaram R$ 602,3 bilhões, com recuo de 0,5% nas séries ajustadas sazonalmente. No entanto, em 12 meses, as concessões nominais cresceram 8,2%.

Endividamento e inadimplência

A inadimplência, com atrasos acima de 90 dias, registrou 4,3% em fevereiro, um aumento de 0,2 ponto percentual no mês e 1 ponto percentual em 12 meses. O endividamento das famílias, que relaciona o saldo das dívidas à renda acumulada em 12 meses, permaneceu estável em janeiro em 49,7%, mas apresentou alta de 1,1% em 12 meses.

Com informações da Agência Brasil