
Preservar a história de Manaus é visto pela Prefeitura como um pilar fundamental para a transformação urbana, conectando memória, pertencimento, novos usos, atividade econômica, turismo e qualidade de vida. Em celebração ao Dia Nacional do Patrimônio Cultural, o Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb) reforça a importância de manter vivos os espaços que contam a história da capital, preparando-os para o futuro.
Reconhecimento Internacional e Responsabilidade Ampliada
O debate sobre a preservação ganha força com o recente reconhecimento dos “Teatros da Amazônia” — Teatro Amazonas e Theatro da Paz — como Patrimônio Mundial da UNESCO. Este título eleva a projeção internacional de Manaus, mas também aumenta a responsabilidade sobre a preservação dos bens culturais e a requalificação de seus entornos.
Patrimônio e Desenvolvimento Urbano: Conceitos Integrados
O diretor-presidente do Implurb, Antonio Peixoto, ressaltou a participação técnica do município na construção da candidatura para o reconhecimento internacional. Ele destacou a colaboração com o Iphan em levantamentos cadastrais e estudos de uso do solo, além de informações sobre infraestrutura e o programa Nosso Centro.
Peixoto enfatiza que patrimônio e desenvolvimento urbano não são opostos. “Preservar não significa congelar a cidade. O patrimônio precisa estar integrado à vida urbana”, afirmou, explicando que o programa Nosso Centro busca trazer mais vida, turismo e negócios para o Centro de Manaus.
Novos Usos para uma Cidade Viva
A integração entre preservação e transformação urbana é um princípio do programa Nosso Centro. O arquiteto e urbanista Pedro Paulo Cordeiro, vice-presidente do Implurb, explica que a estratégia foca em identificar imóveis históricos e vazios urbanos para novos usos.
Exemplos como o casarão Thiago de Mello, que hoje abriga o Conselho Municipal de Cultura (Concultura), e o futuro hub de inovação no casarão São Vicente demonstram essa reconversão. Cordeiro defende que a edificação deve continuar cumprindo uma função na cidade para se manter viva na ambiência urbana.
A rua Ferreira Pena também passa por requalificação dentro do Nosso Centro, com o objetivo de fortalecer sua vocação gastronômica e cultural e estimular a circulação de pessoas. A diretriz do programa é retomar a habitação no Centro, incentivando as pessoas a voltarem para a área.
Diversidade de Usos e Participação Privada
A recuperação do centro histórico depende da manutenção da diversidade de atividades: comércio, serviços, moradia, gastronomia, cultura e turismo. A diversidade de usos é considerada essencial para a vitalidade da cidade.
Cordeiro aponta que a participação do poder público é crucial para iniciar a revitalização, mas a transformação de áreas centrais exige continuidade e a colaboração da iniciativa privada. A segunda etapa do Nosso Centro busca parceiros para desenvolver novos projetos.
Patrimônio como Identidade e Futuro
A preservação de imóveis históricos está diretamente ligada à identidade da população, sendo registros materiais da formação de Manaus. “Quando você preserva, está preservando não apenas a história, mas a identidade de um povo”, ressaltou Cordeiro.
Essa identidade, segundo ele, é formada pela diversidade cultural do Amazonas, incluindo influências indígenas e ribeirinhas. O resgate desse patrimônio é visto como fundamental para a construção de um futuro melhor.
A recuperação do patrimônio e a revitalização do centro histórico são processos contínuos que dependem de investimentos públicos, participação privada, preservação técnica e, principalmente, da apropriação da cidade pela população.
Com informações da Prefeitura de Manaus







