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CPI do Crime convoca ex-diretores do BC e quebra sigilos de alvos da Faria Lima e “A Turma” do Master

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime aprovou nesta quarta-feira (29) uma série de convocações e quebras de sigilos que visam desvendar conexões entre o crime organizado, o mercado financeiro e possíveis fraudes bilionárias. Entre os alvos estão ex-diretores do Banco Central (BC), empresários ligados à lavagem de dinheiro do PCC na Faria Lima e membros do grupo “A Turma”, suspeito de monitorar e intimidar adversários do banqueiro Daniel Vorcaro.

Ex-diretores do BC e o caso Banco Master

Foram convocados Paulo Sérgio Neves de Souza e Bellini Santana, ambos ex-funcionários do Banco Central afastados de seus cargos. Segundo o senador Humberto Costa, a Polícia Federal indica que eles teriam atuado como consultores informais de Daniel Vorcaro, facilitando a compra do então Banco Máxima (posteriormente renomeado como Banco Master) e repassando informações sigilosas.

A CPI também quebrou os sigilos da Varajo Consultoria, empresa ligada a Vorcaro, e convocou seu chefe, Leonardo Augusto Furtado Palhares. A empresa é suspeita de ter proposto pagamento a um servidor do BC.

Faria Lima e o braço financeiro do PCC

Empresários e investigados por associação com a lavagem de dinheiro do PCC na Faria Lima, polo financeiro de São Paulo, tiveram seus sigilos bancários, fiscais e telefônicos quebrados. As medidas atingem alvos da Operação Carbono Oculto da Polícia Federal.

Entre os investigados com sigilos abertos está Roberto Augusto Leme da Silva, o “Beto Louco”, apontado como gestor de distribuidoras de combustíveis usadas para lavar cerca de R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024. O esquema utilizava postos e fundos de investimento para ocultar a origem ilícita dos recursos.

Mohamad Hussein Mourad, um dos principais operadores do esquema de lavagem do PCC, também teve seus sigilos quebrados, com indícios de conexões com o Banco Master. Francisco Maximiano, dono da Precisa Medicamentos, e Danilo Berndt Trent, sócio oculto da empresa, também foram alvos. A Precisa Medicamentos já foi investigada em esquema de corrupção na compra de vacinas durante a pandemia.

“As empresas de Francisco Maximiano foram utilizadas como veículos para a lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC) e para a realização de fraudes bilionárias contra o sistema financeiro e o patrimônio público”, afirmou o senador Humberto Costa.

“A Turma” e as intimidações

A CPI também investiga o grupo “A Turma”, suspeito de monitorar e intimidar adversários do banqueiro Daniel Vorcaro. O grupo teria discutido simular um assalto para agredir o jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, após a publicação de notícias desfavoráveis a Vorcaro.

Ana Cláudia Queiroz de Paiva foi convocada por suspeita de participação nos pagamentos para custear as atividades do grupo. Marilson Roseno da Silva, escrivão aposentado da PF e operador do grupo, teve seus sigilos quebrados.

A comissão também quebrou sigilos de empresas ligadas ao Master, como King Participações Imobiliárias e King Motors Locação de Veículo. Os sigilos de empresas de um dono de avião usado para transportar aliados de Vorcaro também foram abertos, com pedido da lista de passageiros beneficiários. O relator da CPI, Alessandro Vieira, justificou que altas autoridades da República podem ter utilizado aeronaves particulares.

O empresário Vladimir Timerman, que há anos denuncia fraudes no Master, foi convidado para depor.

Com informações da Agência Brasil