
O Governo do Amazonas solicitou ao Governo Federal o envio de aeronaves para intensificar o combate às queimadas no estado. O pedido surge em decorrência da severa estiagem que afeta a região, com o fenômeno El Niño potencializando o número de incêndios florestais tanto na capital quanto no interior.
Entre 1º de julho e 23 de setembro, o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) atendeu a 16.470 focos de incêndio. Em resposta a essa demanda, o CBMAM enviou, em 18 de setembro, um ofício ao Centro Integrado Multiagência de Coordenação Operacional Federal (Ciman Federal), ligado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), solicitando a locação de duas aeronaves especializadas em combate a incêndio florestal.
O objetivo é que essas aeronaves atuem em áreas críticas de vegetação florestal até o final de novembro de 2026. O comandante-geral do CBMAM, coronel Orleiso Muniz, destacou as dificuldades logísticas da região como um fator crucial para o pedido.
“No contexto do enfrentamento aos incêndios florestais durante o nosso verão amazônico, nós solicitamos apoio de aeronaves que transportam 3.200 litros e podem ajudar sobremaneira o enfrentamento a essas ocorrências, principalmente em locais de difícil acesso, em que uma viatura não consegue chegar, que a embarcação não consegue chegar”, explicou o coronel.
A Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) também buscou apoio federal, solicitando equipes, recursos e meios aéreos do Projeto Pegasus, também do MJSP. A intenção é complementar os esforços da estrutura estadual, com foco em áreas de acesso restrito.
Reforço na Região Metropolitana
O Governo do Estado também lançará, na próxima semana, uma nova fase da Operação Tamoiotatá, com foco na região metropolitana de Manaus. A Sema, a Secretaria de Estado de Segurança Pública (SSP-AM) e o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) intensificarão o monitoramento e a resposta a ocorrências nas proximidades da capital.
Equipes da Operação Tamoiotatá atuarão nos municípios de Manaquiri, Autazes, Careiro Castanho e Careiro da Várzea, ampliando a presença do órgão nessas áreas. Anteriormente, a operação concentrava-se no sul do estado, onde tradicionalmente ocorrem a maioria dos incêndios durante a estiagem.
Para o secretário da Sema, Miqueias Santos, as ações demonstram o acompanhamento atento do cenário pelo Governo do Estado. “Nossas ações são contínuas. Monitoramos os dados de qualidade do ar e os focos de calor para tomar as medidas certas no momento certo. O decreto de proibição do uso do fogo, a expansão da Operação Tamoiotatá e o pedido de apoio federal são respostas diretas”, afirmou o secretário.
O Ipaam também reforça a atuação com a Operação Alerta Fogo, focada na fiscalização do uso ilegal do fogo, conforme o Decreto Estadual nº 55.339/2026, que proíbe o uso do fogo no Amazonas, com exceções previstas em lei. As equipes estão divididas em dois eixos: Iranduba, Manaus, Manacapuru e Novo Airão; e Presidente Figueiredo, Rio Preto da Eva, Silves, Itapiranga e Itacoatiara.
O diretor-presidente do Ipaam, Gustavo Picanço, ressaltou que as ações integram uma estratégia de fiscalização na Região Metropolitana, com equipes direcionadas por monitoramento e ocorrências em campo. A Operação Região Metropolitana também abrange a fiscalização de outros ilícitos ambientais.
“Estamos trabalhando com frentes diferentes e complementares para ampliar a fiscalização na Região Metropolitana. Enquanto a Operação Alerta Fogo atua exclusivamente nas ocorrências relacionadas ao uso do fogo, a Operação Região Metropolitana permite uma atuação mais ampla sobre as infrações ambientais”, declarou Picanço.
As equipes do Ipaam utilizam viaturas com internet via Starlink para comunicação e acesso a informações em áreas com baixa cobertura de telefonia, além de drones para monitoramento e identificação de ocorrências ambientais.
Decretos em vigor
O Decreto Estadual nº 55.339, de 9 de setembro de 2026, proíbe o uso do fogo em todo o Amazonas por 120 dias e prevê a atuação de 153 brigadistas florestais em municípios prioritários. O decreto veda o uso do fogo para limpeza, renovação e manejo de áreas, eliminação de resíduos de vegetação e outras finalidades agrossilvipastoris.
Os órgãos estaduais orientam a população a não atear fogo e a denunciar ocorrências ao Corpo de Bombeiros. Em razão da fumaça, recomenda-se evitar atividades físicas ao ar livre, usar máscaras de proteção respiratória e procurar atendimento médico em caso de sintomas respiratórios graves.
Operação Tamoiotatá
Gerida pela Sema e coordenada taticamente pelo Ipaam, a Operação Tamoiotatá é uma força-tarefa integrada que combate o desmatamento ilegal e as queimadas criminosas. Conta com a participação da SSP-AM, Polícia Militar, Polícia Civil, CBMAM e apoio do Censipam (Ministério da Defesa). As ações incluem fiscalização terrestre, vistorias, autos de infração, embargos e proteção de Unidades de Conservação estaduais.
Comitês Federais
O Amazonas integra o Comitê Nacional de Manejo Integrado do Fogo (Comif) e o Centro Integrado Multiagências de Coordenação Operacional Nacional (Ciman) para alinhar diretrizes nacionais de prevenção e combate a incêndios florestais.
Com informações da Agência Amazonas







