
Gestores da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) de Manaus participaram de uma oficina focada na proteção de crianças contra o racismo estrutural na Atenção Primária à Saúde. O evento, intitulado Oficina da Primeira Infância Antirracista na Atenção Primária à Saúde, ocorreu nesta terça-feira (9/6) e reuniu também representantes de outros municípios amazonenses e do governo federal.
Estratégia e Combate ao Racismo
A oficina abordou a estratégia da Primeira Infância Antirracista (PIA), com o objetivo de discutir e propor ações para combater o racismo na saúde infantil. A iniciativa visa garantir o cuidado integral e equitativo para todas as crianças desde o início da vida.
Celso Cabral, chefe da Divisão de Promoção da Equidade às Populações Vulneráveis da Semsa, ressaltou a importância da temática. “Essa é uma temática importante, pois o racismo na primeira infância marca a pessoa para a vida toda. Essa estratégia busca justamente chamar a atenção dos profissionais para que tenham um olhar crítico sobre o racismo e evitem que as crianças sejam impactadas ou sofram por conta da questão racial”, explicou.
Parceria e Alcance
O evento foi promovido em parceria pelo Ministério da Saúde (MS), Semsa Manaus, Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM) e Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). Manaus e outros 24 municípios amazonenses estiveram representados.
Rose Santos, coordenadora-geral de Atenção à Saúde da População Negra do MS, destacou que o órgão federal tem realizado oficinas técnicas em diversos estados para ampliar o acesso à saúde e combater o racismo contra crianças negras e indígenas.
Neideana Ribeiro, consultora do Unicef em Manaus, enfatizou o papel dos profissionais de saúde na rede básica. “Precisamos nos mobilizar, orientar, sensibilizar e fazer valer o compromisso com o cuidado, com salvar vidas. Espero que esse momento seja o início de uma mudança, que voltemos daqui a algum tempo em um cenário melhor”, declarou.
Direitos da Criança e Adolescente
O combate ao racismo na infância e adolescência visa assegurar os direitos dessas crianças como cidadãos. “Quando a gente fala de criança e adolescente, a primeira coisa que tem que vir na nossa cabeça é que eles não são mais sujeitos tutelados pelo cuidado, são sujeitos de direito. Trata-se do direito da criança e do adolescente de ser tratado com equidade”, afirmou um coordenador do Ministério da Igualdade Racial.
Oficinas Regionais
A oficina em Manaus é a segunda promovida pelo MS na região Norte, com planos de alcançar dez estados brasileiros. Yara Pitombo, assessora técnica da Coordenação-Geral de Atenção à Saúde da População Negra do MS, explicou que os encontros incluem apresentações sobre os impactos do racismo no desenvolvimento infantil e a construção da PIA.
“O objetivo é a construção de planos municipais para a implementação da PIA na Atenção Primária à Saúde. Estamos potencializando ações antirracistas para as crianças, trazendo luz a essas ações e institucionalizando as ações antirracistas na saúde básica”, destacou Pitombo. A metodologia é construída de forma intersetorial pelo Comitê Gestor da Estratégia PIA.
A estratégia da PIA foi desenvolvida pelo Unicef e priorizada pelo MS, alinhada ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) para a redução da mortalidade evitável de crianças de 0 a 5 anos e da mortalidade de mulheres negras.
Com informações da Prefeitura de Manaus







