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Fundador da Reag nega vínculo com PCC em depoimento à CPI do Crime

O fundador e ex-presidente da Reag Investimentos, João Carlos Mansur, negou nesta quarta-feira (22) qualquer vínculo da empresa com o Primeiro Comando da Capital (PCC) durante depoimento à CPI do Crime. A Reag, que administrava 700 fundos com R$ 300 bilhões, é suspeita de ter contribuído com o esquema do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e de ter criado empresas de fachada.

Inicialmente, Mansur declarou que permaneceria em silêncio, direito garantido a investigados. Contudo, após apelos do presidente da CPI, Fabiano Contarato, ele resolveu fazer breves comentários.

Governança e independência

Segundo Mansur, a Reag sempre foi auditada por empresas internacionais e mantinha todas as estruturas de governança de uma companhia de capital aberto, com dados divulgados ao público. “Acho que a gente acabou sendo penalizado por ser grande e independente. Nosso mercado penaliza o independente”, declarou.

O investigado admitiu que o Banco Master era um dos clientes da Reag. “Não éramos, nunca fomos empresa de fachada, não temos investidores ocultos. É um partnership, ou seja, vários sócios, várias pessoas”, completou.

Operação Carbono Oculto

A convocação de Mansur foi um requerimento do presidente da CPI, Fabiano Contarato, que destacou a operação Carbono Oculto. “Dos 350 alvos da operação [Carbono Oculto], 42 têm escritórios na Avenida Faria Lima, o que demonstra que o crime organizado possui verdadeira indústria de lavagem de dinheiro no coração do sistema financeiro nacional”, justificou o senador.

Contarato informou que os fundos da Reag teriam sido usados para movimentar cerca de R$ 250 milhões do PCC e que o Banco Central apontou que a companhia teria ocultado os beneficiários de R$ 11 bilhões desviados do mercado financeiro.

“O depoimento de Mansur é indispensável para esclarecer os mecanismos de controle e conformidade adotados pela gestora diante do crescimento exponencial de seus ativos sob gestão, que saltaram de R$ 25 bilhões para R$ 341 bilhões em cinco anos”, escreveu o parlamentar.

Relator lamenta silêncio

O relator da CPI, Alessandro Vieira (MDB-SE), lamentou que o investigado tenha se recusado a responder perguntas, limitando-se a comentários gerais sobre a Reag. “São vários questionamentos que não são, a priori, autoincriminatórios, a não ser que a gente compreenda que absolutamente toda a atividade exercida por vossa excelência, ao longo da carreira, seja criminosa”, provocou o relator.

A CPI aprovou mais de 20 requerimentos, incluindo quebras de sigilo e convocações, visando o braço financeiro do PCC na Faria Lima. As informações sobre o depoimento foram divulgadas em reportagem do Repórter Brasil Tarde, da TV Brasil.

Com informações da Agência Brasil