
A ata do Comitê de Política Monetária (Copom) divulgada nesta terça-feira (23) indica uma postura mais cautelosa do Banco Central (BC) em relação a novos cortes na taxa básica de juros, a Selic. O documento sugere que o ciclo de flexibilização monetária pode ter chegado ao fim, diante do aumento das incertezas no cenário internacional e doméstico.
Cenário internacional e inflação em foco
O Copom avaliou que, até o início de conflitos geopolíticos, as projeções indicavam um arrefecimento da inflação e um crescimento econômico alinhado à política monetária. No entanto, a escalada das tensões geopolíticas e novas incertezas sobre a política econômica dos Estados Unidos elevaram consideravelmente o grau de incerteza.
A meta de inflação estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) é de 3%, com uma banda de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. A previsão do mercado financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a referência oficial da inflação, subiu para 4,17% neste ano, segundo o último boletim do BC.
Desafios fiscais e juros futuros
No âmbito doméstico, a ata reafirma a importância da saúde das contas públicas para o controle da inflação. O BC destacou que a política fiscal influencia a demanda no curto prazo e a confiança dos investidores na sustentabilidade da dívida brasileira.
O esmorecimento no esforço de reformas estruturais, o aumento do crédito direcionado e as incertezas sobre a dívida pública podem elevar a taxa de juros neutra da economia. Isso impactaria negativamente a política monetária e o custo da desinflação em termos de atividade econômica.
Histórico recente da Selic
A Selic estava em 15% ao ano desde junho do ano passado. A última redução ocorreu em maio de 2024, quando a taxa caiu de 10,75% para 10,5% ao ano. Em setembro do mesmo ano, o Copom iniciou um ciclo de elevação que levou a taxa a 15%.
Analistas de mercado estimam que a Selic termine 2026 em 12,5% ao ano, indicando uma expectativa de manutenção dos juros em patamares mais elevados no médio prazo.
Com informações da Agência Brasil







